PIXINGUINHA, UM ÍCONE DA NOSSA MÚSICA

Pixinguinha e Benedito Lacerda executam “Um a Zero”

QUEM ERA PIXINGUINHA?

Pixinguinha, um ícone da nossa música! Este ícone da música brasileira se chamava Alfredo da Rocha Vianna Filho. O apelido Pixinguinha, no entanto, surgiu depois que ele teve varíola, doença também conhecida por ‘bexiga’. Passaram então a chamá-lo de Bexiguinha. Depois, acabou virando Pixinguinha e eternizando-se no Brasil. Ele nasceu no Rio de Janeiro em 23/04/1897. Era filho de Raimunda Maria da Conceição e Alfredo da Rocha Vianna, funcionário dos Telégrafos. Seu pai era flautista amador e tinha uma coleção de partituras de choro e originais das música de Joaquim Antonio Callado https://conclavedesol.mastermusica.com.br/antonio-callado-e-o-pai-do-choro o Pai do Choro. Pixinguinha quando criança tinha uma flauta rudimentar de lata na qual tirava músicas de ouvido. Logo depois foi iniciado no cavaquinho pelos irmãos Leo e Henrique.

PIXINGUINHA E SUA CARREIRA MUSICAL

Pixinguinha demonstrou precocemente ter grande talento. Seu pai vendo o progresso do seu filho, importou da Itália, para ele, uma flauta especial, surgindo assim mais um músico na família. Em pouco tempo já acompanhava seu pai nos bailes. Com onze anos compôs o seu primeiro choro: Lata de leite. Com doze anos já tocava flauta, cavaquinho e bandolim. Então, se interessou em ter aulas particulares de bombardino e teoria musical com César Borges Leitão. Com Irineu de Almeida aprendeu também as habilidades de leitura e escrita de partituras e se aperfeiçoou na flauta. Depois disso, Pixinguinha foi contratado pelo conjunto ‘Concha‘. Em seguida foi tocar com a Orquestra do Maestro Paulino no Teatro Rio Branco. Participou do Grupo Caxangá e mais tarde fundou o Grupo do Pixinguinha e por fim formou o Grupo Oito Batutas.

PIXINGUINHA E SUA OBRA

Em 1915, Pixinguinha fez sua primeira gravação para a Casa Falhauber, com o grupo “Choro Carioca”, interpretando o tango brasileiro “São João Debaixo d’água”. Ele aparecia no cenário musical pela sua performance tanto como músico como compositor. Compôs dezenas de maxixes, polcas, sambas, tangos brasileiros (hoje denominados choros) e valsas; sua composição Carinhoso é quase um hino cultivado por todos os flautistas; fez outras composições como Glória, Lamento, Um a Zero e outros; procurou diversificar a sua música se inspirando na música folclórica nordestina. Logo depois em 1917 gravou para a casa Edison o choro “Sofre Porque Queres” e a valsa “Rosa”.

PIXINGUINHA E A TRADIÇÃO MUSICAL BRASILEIRA

Naquela época havia um desejo muito grande por parte dos brasileiros por uma tradição musical exclusivamente brasileira, livre de influências estrangeiras. Pixinguinha formou o Grupo Oito Batutas, com ele mesmo na flauta, José Alves (bandolim), José Palmieri (pandeiro), Nelson dos Santos (cavaquinho), Donga e Raul Palmieri (violão), Luís de Oliveira (bandolim e reco-reco) e China (canto, piano e violão).O Grupo fez muito sucesso, entretanto gerou polêmica; a elite branca do Rio de Janeiro não gostava de homens negros se apresentando em casas de espetáculos e embora não fossem todos negros foi o bastante para irritar a elite. Mesmo assim, o grupo foi convidado a tocar na recepção para o Rei Alberto da Bélgica. Muitas personalidades porém, demonstraram admiração pelo conjunto como: Gilberto Freire, Sérgio Buarque de Holanda, Rui Barbosa, Menochi del Picchia e Pinheiro Machado.

A CARREIRA INTERNACIONAL DE PIXINGUINHA

Depois do conjunto se apresentar em Minas Gerais e São Paulo Pixinguinha foi convidado para uma temporada em Paris, financiada pelo milionário Arnaldo Guinle. Tinha formado outro conjunto “Les Batutas” e com ele foi para a Europa e permaneceram por mais de seis meses em Paris tocando em diversas casas. O público francês entusiasmou-se com o chorinho e o samba. Por fim, retornaram ao Brasil e o grupo retomou seu lugar no Assírio e fez várias apresentações no Rio de Janeiro. Entretanto, Pixinguinha ainda desejava mais. Experimentou o “saxofone”, e se apaixonou por ele: tocou por vinte anos.

PIXINGUINHA MAESTRO

Pixinguinha tornou-se maestro em 1930. Era exclusivo da maior gravadora RCA Victor e orquestrou o seu maior sucesso Carinhoso, a música que o consagrou afinal, como um dos maiores compositores da nossa época. No Teatro de Revistas conheceu então, aquela que se tornaria sua companheira até o fim de sua vida Albertina da Rocha. Teve um filho adotivo Alfredo da Rocha Vianna Neto. Pixinguinha compositor, flautista, saxofonista, arranjador, maestro, em conclusão, é um dos maiores nomes da música brasileira de todos os tempos. Foi portanto, herdeiro da melhor tradição do choro do final do século XIX. Criou ainda, uma escola brasileira de arranjo no Rio. Ganhou cerca de quarenta prêmios e trofeus em reconhecimento do seu trabalho. Morreu em 17/02/1973 dentro da Igreja Nossa Senhora da Paz onde estava para batizar o filho de um amigo.

O QUE ARY VASCONCELOS FALOU DE PIXINGUINHA?

“Se você tem 15 volumes para falar de toda a música popular brasileira, fique certo de que é pouco. Mas, se dispõe apenas do espaço de uma palavra, nem tudo está perdido, escreva depressa: PIXINGUINHA.”

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Carinhoso executado pelo ‘Conjunto Choro da Três’

FONTE:

Não percam nossa próxima postagem: Ary Barroso

2 thoughts on “PIXINGUINHA, UM ÍCONE DA NOSSA MÚSICA

  1. Pixinguinha era um músico de muita sensibilidade. Tanto que uma de suas canções mais bonitas e consagrada foi carinhoso. Que bom que tivemos a oportunidade de termos tantos músicos de talento.

    1. Marici
      Sim Marici, ele foi um grande músico e imagine foi discriminado pela elite carioca. Como se o talento fosse resultado da cor da pele.
      Tivemos grandes músicos na nossa História da Música. Por isso estou fazendo este trabalho com objetivo de ressaltar este trabalho que foi desenvolvido por eles.
      Grata
      Nilce

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