O ATIVISTA CULTURAL HEITOR DOS PRAZERES

Heitor dos Prazeres1965 – Vai Saudade

QUEM FOI HEITOR DOS PRAZERES

O ATIVISTA CULTURAL HEITOR DOS PRAZERES – Ele nasceu em 23/09/1898 no Rio de Janeiro, foi um artista com muitas habilidades e que deixou uma marca indelével na cultura brasileira. Seus pais eram Eduardo Alexandre dos Prazeres, marceneiro e clarinetista da banda da Guarda Nacional e Celestina Gonçalves Martins. Moravam no Bairro Carioca Cidade Nova. Ele tinha apelido de Lino; Acirema e Iraci eram suas irmãs mais velhas. Heitor nasceu numa família de músicos, desde cedo portanto, ele foi imerso no mundo das artes; desenvolveu assim uma paixão pela música e pelas artes plásticas. Você vai ver portanto porquê ele foi um ativista cultural e contribuiu para o samba e para a pintura brasileira.

SUA FORMAÇÃO AO LONGO DA VIDA

Heitor aprendeu com o pai a tocar no clarinete: polcas, valsas choros e marchas. Seu pai se preocupava com sua educação e o colocou em boas escolas. Ele estudou na Escola Benjamin Constant, no Colégio dos Padres de Sant’Ana e no Externato Sousa Aguiar, contudo, foi expulso de todas elas; cursou apenas até a quarta série do ensino fundamental. Trabalhava então, como engraxate e jornaleiro; frequentava as cervejarias e cinemas onde podia ouvir os músicos e orquestras típicas da Belle Époque, no Rio de Janeiro. Porém a polícia considerou suas andanças como vadiagem e prendeu Heitor com 13 anos e o enviou para a Colônia Correcional Dois Rios, na Ilha Grande onde ele passou dois meses. Logo depois, ao sair, seu tio Hilário Jovino Ferreira, músico deu e ele seu primeiro cavaquinho. Ele então começou a compor como seu tio e passou a ser conhecido como Mano Heitor do Cavaquinho.

A INFLUÊNCIA DE TIA CIATA

Começou a participar então, de reuniões religiosas nas casas onde os músicos experientes tocavam e improvisavam ritmos africanos como candomblé, jongo, lundu, cateretê, e samba, com instrumentos de percussão ou cavaquinho. Ele frequentava as casas de Vovó Celi, Tia Esther, Oswaldo Cruz e Tia Ciata, onde as reuniões de bambas mais importantes frequentemente eram feitas. Tia Ciata principalmente teve uma grande importância para o desenvolvimento do samba; ela oferecia a própria casa para as festas e as rodas de samba e a nata dos sambistas da época frequentavam a casa dela. (Veja sobre Tia Ciata em postagem neste Blog: https://conclavedesol.mastermusica.com.br/a-origem-do-samba) . Heitor conheceu assim, muitos músicos como Caninha, João da Baiana, Sinhô, Getúlio Marinho, Donga Saturnino Gonçalves Pixinguinha,, Paulo da Portela e outros.

ELE RETRATAVA A VIDA NAS FAVELAS

Heitor tinha uma profunda conexão com as raízes culturais do Brasil. Como sambista, ele foi um dos pioneiros na popularização do samba urbano carioca; as músicas que compôs celebravam a vida nas favelas e retratavam as alegrias e lutas do povo negro. Suas canções, como ‘Canto de Paz eMulato Calado‘, ainda ecoam como hinos da cultura afro-brasileira. Ele era compositor e pintor. Participou da fundação de grandes escolas de samba cariocas. Ele foi também, um dos fundadores junto com Cartola da primeira escola de samba do Brasil, a Estação Primeira de Mangueira, e dedicou sua vida a promover a igualdade racial e o reconhecimento da contribuição negra para a cultura brasileira. Participava das reuniões dos Grupos ‘Prazer da Moreninha‘ e ‘Vai como Pode’ que se uniram e se tornaram a Portela, sua escola de samba favorita, cujas cores azul e branco foram escolhidas por ele.

SEUS RELACIONAMENTOS

Heitor dos Prazeres teve vários relacionamentos amorosos: inicialmente teve um relacionamento com a Tia Ialorixá Carlinda; em 1920 nasceu sua filha mais velha, Laura. Depois casou-se depois em 1931 com Dona Gloria, com quem teve três filhas, Ivete, Iriete e Ionete. Sua esposa Glória faleceu vítima de tuberculose. Ele teve depois uma segunda esposa Nativa com quem teve dois filhos: Idrolete e o músico Heitorzinho dos Prazeres. Seu primeiro filho homem inspirou o tema ‘A Coisa melhorou‘. Depois ainda dentro deste relacionamento, em São Paulo, conheceu uma mulher chamada Rosa, que lhe inspirou o tema ‘Linda Rosa‘ e com quem teve uma filha chamada Dirce. Teve então sete filhos. Sua paixão por mulheres está presente em muitas de suas canções mais famosas, incluindo ‘Deixa a Malandragem‘, ‘Gosto que me Enrosco‘ e ‘Mulher de malandro‘.

O PINTOR HEITOR DOS PRAZERES

Heitor dos Prazeres também se destacou como pintor. Ele optou pelo estilo naif que que dizer: ingênuo, inocente. Suas obras vibrantes e cheias de cores refletem sua vivência nas ruas do Rio de Janeiro. Ele capturou a essência da vida urbana e da cultura popular brasileira. Nesse sentido, seus quadros frequentemente retratam cenas do cotidiano nas favelas. Retratam também as festas populares e personagens folclóricos, revelando assim, um olhar sensível e autêntico sobre a realidade social do país. Em 1937, começou a exibir suas pinturas, nas quais retratava também crianças brincando, homens jogando ou bebendo, jovens dançando samba, etc. Representava sempre, os rostos das pessoas de perfil, com a cabeça e os olhos voltados para cima. Em 1943 o quadro ‘Festa de São João‘ exposto numa exposição em Londres foi comprado pela Rainha Elizabeth (na época princesa). A exposição era em prol das vítimas da 2a. Guerra Mundial.

O ATIVISTA CULTURAL HEITOR DOS PRAZERES

HEITOR E SEU ATIVISMO CULTURAL

Heitor dos Prazeres não apenas deixou um legado artístico duradouro, mas também foi um ativista cultural comprometido com a valorização da identidade afro-brasileira. Ele foi um dos fundadores juntamente com Portela da primeira escola de samba do Brasil, a Estação Primeira de Mangueira. Dedicou sua vida a promover a igualdade racial e o reconhecimento da contribuição negra para a cultura brasileira.

A BIENAL DA ARTE MODERNA DE SÃO PAULO

Participou outrossim, da primeira Bienal de Arte Moderna de São Paulo, em 1951 com a presença de artistas de todo o mundo. Ficou em terceiro lugar entre os premiados artistas nacionais com seu quadro ‘Moenda‘. Na segunda Bienal de São Paulo, em 1953, foi então reservada especialmente para ele uma sala para a exposição de sua obra. Como resultado ele criou cenários e figurinos para o balé do Quarto Centenário da cidade de São Paulo. Em 1959, exibiu pela primeira vez individualmente na Galeria Gea Rio de Janeiro.

 

A CASA DO PEQUENO JORNALEIRO

Em 1933, Heitor dos Prazeres compôs Canção do Jornaleiro. Era uma letra autobiográfica. Falava da vida das crianças que vendem jornais nas ruas. A partir daí, se iniciou uma campanha para financiar a construção da Casa do Pequeno Jornaleiro, que abriu em 1940. A Casa do Pequeno Jornaleiro foi uma iniciativa social fundada por ele em 1940, no Rio de Janeiro. Era um espaço destinado a oferecer educação e assistência social para crianças carentes, principalmente aquelas que trabalhavam como vendedores de jornais nas ruas. A instituição visava proporcionar oportunidades de aprendizado, cultura e lazer para essas crianças, contribuindo para melhorar suas condições de vida. A Casa do Pequeno Jornaleiro foi uma importante contribuição de Heitor dos Prazeres para a comunidade e seu legado como artista e ativista social. Essa iniciativa demonstra o compromisso de Heitor dos Prazeres com a promoção da igualdade social e o bem-estar das comunidades menos favorecidas.

A EMBAIXADA DO SAMBA CARIOCA

O SAMBA EM TERRAS PAULISTAS

Em 1939 e 1941 participou em São Paulo do evento Carnaval do Povo com o grupo Embaixada do Samba Carioca, criado para a ocasião. Participaram mais de cem artistas como Paulo da Portela, Cartola, Carmem Costa, Dalva de Oliveira, Aracy de Almeida e Francisco Alves. Participaram também Carlos Galhardo, Bide, Marçal, Henricão, Herivelto Martins e Nilo Chagas. Este evento foi realizado ao ar livre e organizado pelo radialista e compositor Adoniran Barbosa. Foi transmitido pelas rádios Cruzeiro do Sul e Kosmo, conquistou o samba em terras paulistas e de lá para Buenos Aires e Montevidéu. Graças à repercussão desse tipo evento o samba tornou-se aceito pelos setores mais ricos e ser ouvido maciçamente em casinos, cinemas, rádios, etc.

HEITOR DOS PRAZERES, SUA PASSAGEM E SEU LEGADO

Sua influência transcendeu fronteiras artísticas e geográficas, inspirando igualmente gerações de artistas e intelectuais. Heitor dos Prazeres fez a passagem em 4 de junho de 1966 no Rio de Janeiro. Seu legado continua vivo em sua música, suas pinturas e no coração daqueles que valorizam a riqueza e a diversidade da cultura brasileira. Ele permanece como uma figura emblemática que soube personificar a alma pulsante e vibrante do Brasil. Como artista, ele foi um renomado compositor, pintor, e dançarino, destacando-se especialmente na divulgação e preservação do samba e da cultura afro-brasileira. Suas músicas e pinturas capturam a essência da vida cotidiana e das tradições do povo brasileiro, celebrando a riqueza da cultura popular. Em suma, o legado de Heitor dos Prazeres reside na sua contribuição para a preservação da cultura brasileira. Muito importante a sua luta pelos direitos das crianças e seu impacto duradouro nas artes e na sociedade brasileira.

Carnaval dos Arcos da Lapa (Considerado o quadro mais famoso de Heitor dos Prazeres)

HEITOR DOS PRAZERES HOMENAGEADO

Desse modo, em 1999, no centenário de seu nascimento, foi realizada uma retrospectiva de sua obra pictórica. Foi realizada no Espaço BNDES e no Museu Nacional de Belas Artes no Rio de Janeiro. Em 2003 a jornalista Alba Lírio publicou o livro Heitor dos Prazeres: Sua Arte e Seu Tempo.

Pierrot Apaixonado – Heitor dos Prazeres/ Noel RosaInterpretação Lenine e Zélia Duncan

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