DILERMANDO REIS E SUA MAJESTADE O VIOLÃO

Noite de Lua – Dilermando Reis

INFÃNCIA E ADOLESCÊNCIA

DILERMANDO REIS E SUA MAJESTADE O VIOLÃODilermando Reis personificou o violão brasileiro de forma integral como praticamente nenhum outro violonista o fez. Numa fase anterior o violão era discriminado como um instrumento ‘menor’. O violão se tornou então, um instrumento apreciado pelos músicos e que encantava a todos. Veja esta história e saiba porque o violão se tornou uma majestade! Dilermando dos Santos Reis nasceu em Guaratinguetá, São Paulo, no dia 22/09/1916. Ainda na infância começou a estudar violão com o pai, o violonista Francisco Reis. Era o terceiro dos 15 filhos de Francisco Reis e Dona Benedita. Logo após esta iniciação no aprendizado violonístico, o garoto foi encaminhado ao professor Lauro Santos, que era considerado o melhor professor de violão de Guará; dessa forma, ele dirigia um grupo carnavalesco no qual Dilermando fez parte.

SUA FORMAÇÃO

Aos 15 anos o garoto já tocava então, obras de Canhoto e Mozart Bicalho de ouvido. Dilermando depois, teve como professores de teoria Bomfiglio de Oliveira e o músico e maestro Benedito Cipolli. Cipolli era compositor e flautista, bem como conhecedor do violão, e após um período de contato com o jovem violonista, declarou: _”Você está pronto então, para seguir uma brilhante carreira. Assim sendo, Dilermando acabou abandonando a escola aos quinze anos de idade, pois sua dedicação e sua evolução musical era tamanha que passou a afetar seu desempenho nos estudos. Afinal, sua interpretação musical começou a se destacar pela clareza e particularidades interpretativas, tanto que “com quinze anos de idade, já era considerado o melhor violonista de Guará”.

QUEM ERA LEVINO DA CONCEIÇÃO

Conheceu então, aos 15 anos, o violonista Levino Albano da Conceição, em Guaratinguetá em uma apresentação no Cine Central. Levino era um famoso violonista, deficiente visual mato-grossense; por conseguinte, ele era patrocinado pelo Instituto para deficientes visuais Benjamin Constant do Rio e pela Escola San Raphael, de Belo Horizonte. Levino ouviu Dilermando tocar e ficou impressionado com a qualidade do jovem; pediu então aos pais do garoto permissão para que ele o acompanhasse em sua excursão; se comprometeu a ensiná-lo técnicas violonísticas e encaminhá-lo na vida artística. Essa importante formação com Levino durou dois anos. Certa vez, em um depoimento ao Museu da Imagem e do Som, Dilermando conta como foram os primeiros meses: _“No começo, eu estudava com o Levino, e ele, nos primeiros recitais, não me apresentava como aluno. Mas logo depois de três meses ele fazia a primeira parte e deixava a segunda para eu fazer.

DILERMANDO REIS NO RIO DE JANEIRO

Enfim, com 17 anos em companhia de Levino, foi para o Rio de Janeiro em 1933. Lá encontrou o violonista João Pernambuco e teve na sua carreira muitas influências dele. No Rio, Dilermando acabou atuando como instrumentista, professor de violão, compositor e arranjador. Deu aulas na loja Bandolim de Ouro. Acompanhou calouros na Rádio Guanabara. Fez um programa de muito sucesso na Rádio Transmissora. Na Loja A Guitarra de Prata ficou lecionando por 25 anos. Depois se transferiu para Rádio Clube do Brasil; ali formou um conjunto no qual tocou também Waldir de Azevedo. Veja Post sobre ele neste Blog clicando no link: (https://conclavedesol.mastermusica.com.br/waldir-azevedo-e-o-cavaquinho-em-destaque).

SUA MAJESTADE O VIOLÃO

UMA ORQUESTRA DE VIOLÕES

Dilermando ficou conhecendo no Rio grandes músicos como Luperce Miranda, Rogério Guimarães e Pixinguinha. Pensou então em reuni-los para fazer música. Em conclusão, formou em 1940 uma orquestra composta de 10 violonistas; foi uma das primeiras no gênero que se tem notícia; com integrantes de alto nível como Osmar Abreu, Euclides Lemos e Solon Ayala. Atuou com êxito na Rádio Clube e também no Cassino da Urca. Em 1941, gravou seu primeiro disco pela Colúmbia, onde constavam a valsa ‘Noite de lua‘ e o choro ‘Magoado‘, um dos mais tocados. Dilermando é autor de valsas geniais, entre as mais belas do repertório brasileiro, como ‘Uma Valsa e Dois Amores‘ e ‘Dois Destinos’, além de choros inspirados, a exemplo de ‘Feitiço‘, ‘Dr Sabe Tudo’ e ‘Xodó da Baiana‘. 

O VIOLONISTA MAIS BEM PAGO DO RIO

Dilermando começou depois a trabalhar na Rádio Transmissora; com o salário que recebia, era o violonista mais bem pago do Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, participava de serenatas ao lado de grandes músicos como Francisco Alves e Silvio Caldas. Em 1944 veio o segundo registro em disco, com ‘Dança Chinesa’ e ‘Adeus Pai João‘. A estes se seguiram vários outros discos que o colocaram como o violonista mais conhecido do Brasil, principalmente com a gravação em 1952 da valsa ‘Se Ela Perguntar’ – com letra de Jair Amorim – por Carlos Galhardo, pela RCA Victor. No mesmo ano, gravou os dois maiores clássicos do repertório instrumental popular brasileiro, o maxixe ‘Sons de Carrilhões‘, de João Pernambuco, e a valsa ‘Abismo de Rosas‘, de Américo Jacomino (Canhoto) Veja post sobre Américo Jacominbo neste Blog clicando no link: https://conclavedesol.mastermusica.com.br/americo-jacomino-o-canhoto/.  

O VIOLÃO COMO UMA MAJESTADE

Sua Majestade, o Violão ­foi um programa diário na Rádio Nacional que tinha como prefixo a mazurca ‘Adelita‘, de Francisco Tárrega (importante violonista espanhol). Gravou um disco com este mesmo nome SUA MAJESTADE, O VIOLÃO com músicas de sua autoria, de Benedito Chaves além de músicas de Chopin e Tárrega. Dilermando Reis gravou muitos outros LP’s de sucesso como ‘Volta ao Mundo‘, ‘Melodias da Alvorada‘ e o maior de seus discos, ‘Abismo de Rosas‘. Muitos até hoje pensam que esta música é de autoria dele, mas esta valsa é de Canhoto Américo Jacomino. Na sequência vieram vários outros, como ‘Junto a Teu Coração‘,  ‘Gotas de Lágrimas’, ‘Saudades de Ouro Preto’, e ‘Grand Prix’. Gravou também o Concerto n.1 para Violão e Orquestra, de Radamés Gnattali (multi-instrumentista, compositor e maestro brasileiro) e clássicos de Pixinguinha e Ernesto Nazareth.

A MAJESTADE DO VIOLÃO

DILERMANDO, PROFESSOR DE JK

Dilermando foi professor do presidente Juscelino Kubitschek e de sua filha Maristela. Como exímio instrumentista, comandava os saraus do Catetinho ao lado do pianista Bené Nunes. Assim, eles escolhiam o repertório de serestas, valsas e todas as canções que embalavam os jantares. O Presidente acabou nomeando-o depois como fiscal da Receita Federal para garantir o seu futuro. Dilermando compôs ‘Sob Céu de Brasília’, que ganhou letra de José Fortuna (Compositor também da Guarânia Índia). Ministrava aulas de violão a Maristela, uma das filhas de JK. Juscelino aprendeu com ele acordes, notas e dedilhadas no violão. O fato era público e inspirou Juca Chaves na canção ‘Presidente Bossa-Nova‘. Há muitas histórias que envolvem então o Catetinho, o Palácio de Tábuas onde Juscelino Kubitscheck despachava. Todas, no entanto, foram embaladas pelos acordes de Dilermando Reis.

Sob o céu de Brasília/Dilermando Reis letra de José Fortuna – interpretação de Andrey Shilov

O LEGADO DE DILERMANDO REIS

O repertório de Dilermando também sempre esteve disponível em partituras. Mas a partir de 1990, os trabalhos de pesquisa e livros didáticos de Ivan Paschoito ajudaram a divulgar essas obras internacionalmente: Ivan publicou dois álbuns pela editora americana Guitar Solo Publication. No Brasil Dilermando Reis é sinônimo de violão. Ele possuia um estilo seresteiro e uma experiência em música clássica e popular; teve influências de artistas como César Guerra Peixe e Radamés Gnattali; tudo isso fez com que, Dilermando personificasse o violão brasileiro de forma integral como praticamente nenhum outro violonista o fez. Transformou clássicos como Abismo de Rosas ou Gotas de Lágrimas em novos clássicos. Já foi assunto de teses e dissertações de pós-graduação como de Luciano Pires e David Jerome e é um dos poucos violonistas a ter uma biografia publicada em livro impresso. Em 2000, Genésio Nogueira publicou a única biografia sobre o violonista.  

HOMENAGENS

O nome do violonista Dilermando Reis virou nome de Rua no Rio de Janeiro; seu nome é também título do FESTIVAL DILERMANDO REIS DE GUARATINGUETÁ; neste festival costumam se apresentar violonistas clássicos e populares. Neste ano de 2023 nos dias 22, 23 e 24 de setembro foi realizado com sucesso o vigésimo sexto Festival. Primeiramente, o evento tem como abertura uma pitoresca seresta de músicos locais bem em frente ao túmulo do violonista. O violonista Marco Pereira lançou o CD ‘Dois Destinos: Marco Pereira Toca Dilermando Reis‘, com leituras bem contemporâneas de violão e banda. O violonista e professor da Universidade de Brasília, Alessandro Borges, lançou um álbum de 30 partituras inéditas comemorando o centenário de nascimento de Dilermando Reis

ÚLTIMOS ANOS E PARTIDA

DILERMANDO REIS E SUA MAJESTADE O VIOLÃO

Dilermando Reis morreu no Rio de Janeiro em 2 de janeiro de 1977; teve problemas cardíacos e sofreu um edema pulmonar. Ao velório, compareceram a viúva do ex-presidente Juscelino Kubitschek, Sara, acompanhada da filha e ex-aluna de Dilermando, Maristela, além de fãs e amigos. Ele foi enterrado em sua cidade natal, Guaratinguetá, no cemitério São Miguel. Dilermando dos Santos Reis afinal, foi um dos mais importantes e influentes violonistas brasileiros. Além de instrumentista foi compositor, arranjador e professor de violão. Gravou cerca de 35 discos de 78 rpm e 25 Lp’s, perfazendo portanto, um total de quase 100 obras para violão. Transformou seu nome então, em sinônimo de violão, e vice-versa!

Abismo de rosas – autoria Américo Jacomino – Interpretação Dilermando Reis

FONTE:


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2 thoughts on “DILERMANDO REIS E SUA MAJESTADE O VIOLÃO

  1. Olha q artista essa personalidade Dilermando Reis e q legado parabéns pelas informacoes e interessante ele ter sido prof da filha do presidente Juscelino Kubitschek que honra.

    1. João Henrique meu querido
      Dilermando Reis foi um grande instrumentista, grande compositor e nós podemos nos orgulhar muito dos grandes compositores que tivemos e da nossa música brasileira, do nosso samba, do nosso choro que encanta o mundo inteiro.
      Obrigada
      Nilce

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