PATÁPIO SILVA O JOVEM VIRTUOSE

Patápio Silva, o jovem e grande virtuose

PATÁPIO SILVA O JOVEM VIRTUOSE

Pattápio Silva nasceu na Vila de Itaocara, estado do Rio de Janeiro, no dia 22/10/1880. Menino mulato, filho do barbeiro Bruno José da Silva e Amélia Medina da Silva. Sua mãe tinha apenas treze anos quando Pattápio nasceu, e deste casamento, além de Pattápio, nasceram mais dois irmãos: Paladina e Peridiano. Sua mãe teve um segundo casamento. Deste casamento nasceram os irmãos Cícero e Lafaiete, violinistas, João Batista, flautista e ganhador da medalha de ouro do Instituto Nacional de Música, e um dos fundadores da Orquestra Sinfônica Brasileira, além de Odilon, Urtinê, Antonieta e Maria da Conceição. Todos tiveram instrução musical, e sua mãe era chamada de “ventre musical”. Afinal até os netos de Dona Amélia também foram músicos, destacando-se entre eles Ubirajara, flautista que tocou na Banda da Escola Militar do Rio de Janeiro, Arumã e Adna, cantoras.

PATÁPIO E A PROFISSÃO DE BARBEIRO

Seu pai ensinou-lhe a profissão de barbeiro que naquele tempo tinha um certo ‘glamour’ porque as barbearias viviam sempre cheias de músicos e pessoas que iam conversar e trocar ideias. Ensinou-lhe também a tocar flauta. Ele, então, passou a impressionar diversas pessoas que passavam pela barbearia do pai, tocando em uma rudimentar flauta de folha de flandres (uma flautinha de brinquedo). Mesmo com aquele instrumento simples ele conseguia chamar a atenção de todos. Aos doze anos, Pattápio, já possuia uma flauta de madeira de oito buracos. À principio ele aprendeu a profissão de barbeiro, porém mais tarde saiu de casa para fazer o que lhe agradava. Não queria ser barbeiro como o pai.

INFÂNCIA E JUVENTUDE

Passou então a infância na cidade mineira de Cataguases. Em 1896, entra na Banda Cataguases Aurora com apenas 16 anos. Depois, conheceu o maestro cubano Francisco Lucas Duchesne, que exerceu importante influência na carreira de Patápio. Logo depois, foi morar na cidade de Palma; durante as comemorações da Semana Santa ele interpretou composições sacras de José Maurício Nunes Garcia  (padre,mestre de capela da Catedral do Rio, foi professor de música de D. Pedro I, maestro, multi-instrumentista e compositor)(https://musicabrasilis.org.br/compositores/jose-mauricio-nunes-garcia). Depois disso em 1990, foi para o Rio de Janeiro trabalhar como tipógrafo. Estudou francês, que era uma lingua universal naquela época. Logo em seguida arrajou emprego na Casa da Moeda. Patápio foi um dos precursores do choro. Tocou em diversas bandas, chegou a mestre da Lira Guarani.

FORMAÇÃO MUSICAL DE PATÁPIO SILVA

Pastápio concorreu então a uma vaga no Instituto de Nacional de Música. Entretanto naquela época, apenas os jovens das famílias abastadas do Rio concorriam a uma vaga neste Instituto. Em contraste Patápio era um jovem de dezenove anos humilde, mulato e mal vestido, Porém, conheceu o professor do Instituto Nacional de Música, Paulo Augusto Duque Estrada Meyer. O professor recebeu-o e então convidou-o a tocar. Patápio desembrulhou as folhas de jornais que serviam de caixa para a flauta. O grande mestre começou a rir ao ver o pobre instrumento que Pattápio trazia. Uma flauta de madeira de fabricação antiga e grosseira. Antes de Patápio começar a tocar naquela flauta sem recursos, o mestre fez-lhe várias perguntas, rindo-se bastante da situação que se lhe apresentava interessantíssima. Em seguida convidou Patápio a executar alguma coisa. Patápio executou as músicas que tinha e também as músicas que o professor lhe apresentou.

O ALUNO EXEMPLAR

Duque Estrada ficou assombrado com o seu talento e mudou de fisionomia, abraçou o aluno com carinho e afeto; recebeu-o como um filho, oferecendo toda ajuda de que necessitasse. Patápio começou a  tomar aulas mesmo, antes mesmo de ser matriculado e ganhou uma boa flauta. Dominar um instrumento era uma habilidade valorizada pela sociedade da época. Apresentou-se na requintada escola, com simplicidade e humildade. Logo depois as expressões foram de espanto diante do seu desempenho na flauta. Patápio matriculou-se no terceiro ano: matrícula paga pelo porteiro do Instituto Nacional de Música, penalizado com a situação financeira de Pattápio. Cursou solfejo, canto coral, flauta, teclado e harmonia. Os seus colegas, se viam ameaçados e enciumados. Portanto ele apenas tinha oportunidade de tocar nas apresentações quando não havia outro flautista.

O MERECIDO PRÊMIO

Ele cumpriu assim, o programa de seis anos em apenas três, em dezembro de 1903. Foi aprovado com louvor. Primeiro prêmio, medalha de ouro, por unanimidade de votos. Logo depois, houve um concurso para flautistas; primeiro prêmio: uma flauta de prata da marca francesa Louis Lot, doada pela senhora Samico, esposa de um médico. Dos colegas de Pattápio, apenas Pedro de Assis teve a coragem de concorrer com ele. Como resultado Pattápio venceu a prova. Na hora da entrega do prêmio para Pattápio o diretor do Instituto Nacional de Música, abriu o cofre, incrivelmente não encontrou a flauta. Houve instalação de inquérito. Além do mais muita movimentação na imprensa quanto ao fato do ganhador ser mulato, pobre, e não ser figura da elite carioca. Muita confusão, até que enfim alguém misteriosamente devolveu a flauta, que foi entregue a Patápio.

COMPOSIÇÕES DE PATÁPIO SILVA

Neste parágrafo enumeraremos suas principais obras> Patápio Silva desde 1880 a 1907 compôs: Op.1 Evocação Romance Elegiaco, Op.2 Sereta d´amore, Op.3 Margarida Mazurka, Op.4 Primeiro Amor Valsa,  Op.5 Sonho Romance fantasia, Op.5ª Sonho Romance Fantasia, Op.6 Oriental Peça Característica, Op.7 Idilyo, Op.8 Zinha Polka, Op.9 Amor perdido valsa, Op. Post. Noturno I para Flauta, violino e piano(Editado por James Strauss), Op. Post. Noturno II para Flauta, violino e piano(Editado por James Strauss), Op. Post. Beija Flor Polca, Op. Post. Joanita Valsa, Op. Post. O sabão Polca. Op. Post. Volúvel Valsa, Op. Post. Polka, Op. Post. Cotinha Polca, Op. Post. Dobrado a Pessoa de Barros.

PATÁPIO SILVA O GRANDE VIRTUOSE

Gravou então muitos discos para a Casa Edison, interpretando peças de autores europeus e brasileiros, e também de sua autoria. Depois disso começou a fazer diversas apresentações em diversas cidades. Em Petrópolis chegou a ser cumprimentado pessoalmente pelo Barão do Rio Branco que ficou encantado com o desempenho genial de Patápio. Teve convite do Presidente Afonso Pena para se apresentar no Palácio do Catete. Depois disso começou a excursionar pelo Brasil.Depois apresentou-se com enorme sucesso em São Paulo, inicialmente sendo olhado com desdém por diversos indivíduos das plateias paulistanas, pelo fato de ser mulato, mas depois deixando-os boquiabertos e sendo muito aplaudido. Decidiu, então fixar residência na capital paulista. 

RECEPÇÃO EM CURITIBA E MORTE

Concluindo, ele tinha intenção de fazer apresentações pelo sul do Brasil e levantar fundos para ir se apresentar na Europa. Viajou para Curitiba. Pela fama que conquistara, foi assim ovacionado e recebido com toda a pompa em Curitiba. Ensaiava para sua apresentação, caiu doente, com febre alta, e como resultado faleceu seis dias depois no dia 24 /04/1907. Tinha apenas 26 anos o grande e jovem flautista. Foi muito questionada esta morte súbita em um jovem que chegou saudável em Curitiba. Foi velado e o féretro foi acompanhado por grande massa de populares e foi sepultado com pompa . Seu funeral pois, foi promovido pelo governo de Santa Catarina. Recebeu assim grandes homenagens no Rio e São Paulo. A cidade de Itaocara também  homenageou seu filho ilustre com o Monumento a Patápio Silva. 

PATÁPIO SILVA O JOVEM VIRTUOSE

Flautista e compositor, Patápio Silva foi um dos maiores virtuoses do nosso país nesse instrumento.” (Casa do Choro)

Margarida – interpretação de Eder Giaretta

FONTE:

Não percam nossa próxima postagem CARLOS GOMES!

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