VINÍCIUS DE MORAES, O POETINHA E O DIPLOMATA

Arrastão: letras de Vinícius de Morais e música de Edu Lobointerpretação Elis Regina

VINÍCIUS DE MORAES, O POETINHA E O DIPLOMATA

Infância e Adolescência

Marcus Vinícius da Cruz de Mello Moraes, nasceu no Rio de Janeiro em 19/10/1913. Filho de Clodoaldo Pereira da Silva Moraes, funcionário da Prefeitura, poeta e violinista amador e Lydia Cruz de Moraes, pianista amadora. Vinícius é o segundo de quatro filhos. Iniciou os seus estudos na Escola Primária Afrânio Peixoto. Desde então, já demonstrava interesse em escrever poesias. Em 1922, a sua mãe adoeceu e ele e sua irmã Lygia ficaram com o avô, para terminar o curso primário. Ele ingressou em 1924 no Colégio Santo Inácio, onde passou a cantar no coral e começou a montar pequenas peças de teatro. Três anos mais tarde, tornou-se amigo dos irmãos Haroldo e Paulo Tapajós, com quem então, começou a fazer suas primeiras composições e a se apresentar em festas de amigos. Depois ingressou na Faculdade Nacional de Direito (UFRJ). 

O MOVIMENTO INTEGRALISTA BRASILEIRO

Já adulto, conheceu Otávio de Faria e começou com ele a frequentar as reuniões da Ação Integralista Brasileira; era um movimento brasileiro de cunho nacionalista, liderado por Plínio Salgado. Esse movimento da década de 1930, combinava ideias nacionalistas com algumas características do fascismo europeu. O movimento buscava uma alternativa ao liberaliasmo e ao comunismo inspirando-se no fascismo italiano. Faziam reuniões então, na Livraria do Schmidt. Ele chegou mesmo a se filiar e participar de instruções das Milícias Integralistas, no Arsenal de Guerra do Caju. Foi assinante também de vários documentários Shell sobre o Integralismo. Porém, Vinicius de Moraes teve apenas um breve envolvimento e com o tempo, ele se distanciou dessas ideias, adotando posturas progressistas e alinhadas com a esquerda. Durante a Ditadura Militar no Brasil (1964-1985), Vinicius foi até mesmo censurado e teve seus direitos políticos cassados, devido as mudanças políticas a partir dos anos 30.

VINÍCIUS DE MORAES, O POETINHA E O DIPLOMATA

A Carreira Diplomática

Vinícius teve em sua vida vários empregos: em 1936, foi Censor Cinematográfico. Depois disso, 2 anos mais tarde, Vinicius de Moraes ganhou uma bolsa do Conselho Britânico para estudar língua e literatura inglesas na Universidade de Oxford. Depois, retornando ao Brasil foi Crítico de Cinema. Logo depois, foi colaborador na Revista Clima‘ e trabalhou no Instituto dos Bancários. Em seguida prestou concurso pela segunda vez, para o Ministério das Relações Exteriores (CACD)e passou. Cursou a formação para a carreira diplomática no Instituto Rio Branco, que é a Academia Diplomática do Brasil. Em seguida, assumiu e foi vice-consul em Los Angeles. Atuou como diplomata em Paris e em Roma. Foi também vice-consul em Los Angeles onde permaneceu cinco anos sem regressar ao Brasil; fez então contato com músicos brasileiros, entre eles Carmem Miranda (Veja post sobre Carmen Miranda neste Blog: https://conclavedesol.mastermusica.com.br/carmen-miranda-a-pequena-notavel).

O POETINHA E OS RELACIONAMENTOS

O apelido de ‘Poetinha‘, quem lhe atribuíu foi Tom Jobin; Vinícius notabilizou-se pelos seus sonetos. Conhecido como um boêmio inveterado, fumante e apreciador do uísque, era também conhecido por ser um grande conquistador. O Poetinha casou-se por nove vezes ao longo de sua vida. Vinicius de Moraes é frequentemente lembrado não só por sua vasta obra, mas também por sua vida amorosa intensa. Suas esposas foram: Beatriz Azevedo de Mello, Regina Pederneiras, Lila Bôscoli, Tati de Morais, Cristina Gurjão, Gesse Gessy, Marta Rodrigues Santamaria, Lucinha Proença e Gilda de Queirós Mattoso. A cada nova relação, Vinicius parecia se reinventar e muitas vezes suas musas inspiravam seus trabalhos.

CARREIRA ARTÍSTICA

Sua obra é vasta, passando pela diplomacia, literatura, teatro, cinema e música. Ainda assim, sempre considerava sempre que a poesia era sua primeira e maior vocação, e do fato de ser poeta deriva toda sua atividade artística. No campo musical, o Poetinha teve como principais parceiros Tom Jobin, Toquinho, Baden Powell, João Gilberto, Chico Buarque e Carlos Lyra. No fim da década de 1920, Vinicius de Moraes produziu letras para dez canções gravadas – nove delas parcerias com os Irmãos Tapajós. Seu primeiro registro como letrista veio em 1928, quando compôs (com Haroldo) ‘Loira ou Morena’. Vinicius publicou seu primeiro livro de poemas ‘O Caminho para a Distância’, entre outros livros publicados. Foram também gravadas outras canções de sua autoria, como ‘Dor de uma Saudade‘ e ‘O Beijo Que Você Não Quis Dar e ‘Canção da Noite‘ e ‘Canção para Alguém‘. Lançou mais tarde o livro ‘Ariana, a Mulher‘.

A BOSSA NOVA

O ano de 1958 marcaria enfim, o início de um dos movimentos mais importantes da música brasileira, a Bossa Nova. A pedra fundamental do movimento veio com o álbum ‘Canção do Amor Demais‘, gravado por Elizeth Cardoso. O disco contava ainda com canções de autoria da dupla Vinicius e Tom, como ‘Luciana‘, ‘Estrada Branca‘, ‘Outra Vez‘ e ‘Chega de Saudade‘, em interpretações vocais intimistas. ‘Chega de Saudade’ foi uma canção fundamental daquele novo movimento, especialmente porque o álbum de Elizeth contou com a participação de um jovem violonista, que, com seu inovador modo de tocar o violão, caracterizado por uma nova batida, marcaria definitivamente a bossa nova e a tornaria famosa no mundo inteiro a partir dali. O nome deste violonista é João Gilberto. A importância do disco ‘Canção do Amor Demais‘ é tamanha que acima de tudo, ele é tido como referência por muitos artistas.

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O Sucesso

Vários artistas gravaram as composições de ViníciusJoel de Almeida gravou ‘Loura ou Morena‘; Aracy de Almeida gravou ‘Bom Dia, Tristeza’ (composta com Adoniran Barbosa (Veja Post sobre Adoniran Barbosa neste Blog: https://conclavedesol.mastermusica.com.br/o-nome-dele-nao-era-adoniran-barbosa/), Tito Madi gravou ‘Se Todos Fossem Iguais a Você’; Bill Farr gravou ‘Eu Não Existo Sem Você’Agnaldo Rayol gravou ‘Serenata do Adeus‘ e Albertinho Fortuna gravou ‘Eu Sei Que Vou Te Amar’, ‘O Nosso Amor‘ e ‘A Felicidade‘. Servindo ao Itamaraty em Montevideu desde 1957, Vinicius de Moraes depois de 3 anos, resolveu deixar a diplomacia. Dedicou-se mais então, à carreira artística. Contudo, mesmo tendo sido cassado, em 1969 foi aposentado durante o regime militar. Suas canções continuaram sendo gravadas. Jandira Gonçalves gravou a canção ‘Janelas Abertas’ (composta com Tom Jobim), e Marianna Porto de Aragão gravou ‘Bate Coração‘, (composta com Antônio Maria).

PARCERIAS E PRÊMIOS

Vinícius no período de 1949 a 1951, entrou em contato com João Cabral de Melo Neto, que contribuiu muito para a publicação do poema ‘Pátria‘. Teve influências também de Pablo Neruda e Di Cavalcanti nos seus trabalhos. Logo depois, trabalhou no jornalismo, no Última Hora, e permaneceu na crítica cinematográfica. Vinicius de Moraes publicou uma antologia poética denominada ‘A Noite; este trabalho contou com a atuação de Manuel Bandeira para a publicação. No mesmo ano, uma de suas peças, afinal, uma das mais conhecidas ‘Orfeu da Conceição‘ recebeu o prêmio do IV Centenário do Estado de São Paulo. Em sua fase considerada mística, ele recebeu o Prêmio Felipe D’Oliveira pelo livro Forma e Exegese, de 1935.

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Últimos Anos e partida

Vinicius de Moraes é uma figura icônica da música e da literatura brasileira, conhecido principalmente por sua poesia e suas parcerias no mundo da música, especialmente com Tom Jobim. Suas letras mostravam sensibilidade, paixão e lirismo. Ele se destacou na segunda fase do modernismo brasileiro. Foi um espoente notável no gênero musical Bossa Nova cujas composições ficaram muito famosas inclusive com músicas voltadas oara o público infantil. O artista nos deixou em 09/07/1980, vítima de edema pulmonar.

O ‘SONETO DA FIDELIDADE’

Compôs o poema ‘Soneto da Fidelidade‘ em Lisboa quando estava com sua primeira esposa Beatriz Azevedo de Mello em 1939. O soneto afinal, é um dos mais reconhecidos no legado de Vinícius de Moraes.

SONETO DA FIDELIDADE

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama,

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Soneto da Fidelidade – interpretação de Vínicius de Moraes acompanhado ao piano por Tom Jobin

FONTE:

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