VILLA LOBOS: BRASILIDADE EM ACORDES

Villa Lobos: Brasilidade em acordes5a Bachiana Brasileira – Villa Lobos – Filarmônica de Berlim

QUEM FOI VILLA LOBOS

VILLA LOBOS: BRASILIDADE EM ACORDES – Heitor Villa Lobos nasceu no Rio  de Janeiro em 05/03/1887.  Villa Lobos foi compositor, maestro, violoncelista, pianista e violonista brasileiro. Foi a figura criativa mais significativa do Século XX na música clássica brasileirae o compositor sul-americano mais conhecido de todos os tempos”. Escreveu numerosas obras orquestrais, de câmara, instrumentais e vocais, afinal, totaliza uma obra de mais de 2 mil peças. Descobriu uma linguagem musical brasileira que transparece nas suas inúmeras obras.Por isso Villa Lobos: brasilidade em acordes. Na sua vida pessoal teve dois relacionamentos: foi casado com Arminda Neves e mais tarde com a pianista Lucília Guimarães; depois da sua morte ela cuidou do seu acervo e por conseguinte se tornou diretora do Museu de Villa-Lobos. Lucília como musicista também exerceu grande influência no seu trabalho. Villa-Lobos não teve filhos. Tem um sobrinho-neto, o músico Dado Villa Lobos.

INFÂNCIA E JUVENTUDE

Villa Lobos era filho de Raul Villa-Lobos, e Noêmia Monteiro Villa-Lobos, imigrantes espanhóis. Nasceu no bairro de Laranjeiras, no Rio. Seu pai era músico amador, então deu-lhe instrução musical. Inicialmente adaptou uma viola  para que ele iniciasse seus estudos de violoncelo. Com seis anos incrivelmente compôs sua primeira peça no violão se inspirando nas cantigas de roda. Com oito anos começou a estudar Johann Sebastian Bach. Gostava também dos rítmos popularese e dos rítmos folclóricos. Aprendeu a tocar também clarinete e saxofone. Porém, aos treze anos perdeu seu pai e passou a tocar em teatros, cafés e bailes. Paralelamente, interessou-se pela intensa musicalidade dos “chorões”, muito tocada no Rio; assim desenvolveu-se também no violão. Aos dezesseis anos foi morar com uma tia que adicionalmente lhe ensinou a tocar piano.

COMPOSIÇÕES DE VILLA LOBOS

Villa Lobos: brasilidade em acordes

Villa-Lobos viajou pelo Brasil, buscando as  raízes folclóricas. Esteve no Nordeste e se extasiou com a riqueza do folclore da região. Esteve no Sul, no Centro-Oeste e na Amazônia e escreveu ‘Os Cantos Sertanejos‘. No Rio, gostava também de frequentar rodas de choro, componente forte da cultura popular da época; esteve em muitas oportunidades com João Pernambuco conforme já narramos em outro post aqui no Blog.(https://conclavedesol.mastermusica.com.br/joao-pernambuco-um-dos-precursores-do-violao). A sua música mostra a influência de elementos de choro, a influência da música folclórica e elementos estilísticos da tradição clássica europeia, como as nove ‘Bachianas Brasileiras’. Suas composições denominadas ‘Choros‘ em número de catorze, apresentam cada uma delas uma enorme complexidade de execução. Compôs também incontáveis peças para piano, violão e violoncelo. ‘A Prole do Bebê‘ é uma série de duas suítes para piano. Essas suítes são consideradas uma de suas mais importantes obras.

O MODERNISMO NO BRASIL

Villa Lobos: Brasilidade em acordes

Heitor Villa-Lobos mostrou em suas obras grande originalidade empregando rítmos brasileiros e usando instrumentos de percussão. Sua vasta obra inclui concertos, sinfonias, óperas, bailados, suítes sinfônicas e peças isoladas. Ele queria levar o som das matas, dos índios, as cantigas, os choros e os sambas às elites. Os teatros americanos e europeus executavam frequentemente suas obras. Dessa forma, destacou-se então por ter sido o principal responsável pela descoberta de uma linguagem peculiarmente brasileira em música. Por outro lado é considerado o maior expoente do modernismo musical no Brasil; afinal compôs obras que contêm nuances das culturas regionais brasileiras, com os elementos das canções populares e indígenas.

Choros n. 10 Villa Lobos – Simon Bolivar Symphony Orquestra

SEMANA DA ARTE MODERNA

A Semana da Arte Moderna aconteceu em 1922. Na segunda noite o foco foi: literatura e música. Villa-Lobos e Ernesto Nazareth apresentaram algumas de suas obras. Villa Lobos apresentou a ‘Segunda Sonata’, o ‘Segundo Trio’ e a ‘Valsa Mística’, o ‘Rondante’, ‘A Fiandeira” e ‘Danças Africanas’. Ele se apresentou para reger a Orquestra calçado com um pé com sapato e o outro com chinelo. A elite paulistana o recebeu friamente e até o vaiou. Interpretou isso como uma falta de respeito para com o público. Porém ele estava com um pé machucado. Também o público não aceitava essas mudanças no nosso modo de fazer arte. Mas a nossa cultura precisava se desprender de reprodução de padrões europeus. E assim, a Semana de Arte Moderna propunha um reconhecimento de elementos da nossa cultura, da nossa natureza e dos nossos costumes e tencionva mostrar isso na nossa arte. 

VILLA LOBOS E O CANTO ORFEÔNICO

Villa Lobos, música com raízes brasileiras

Heitor Villa-Lobos, desenvolveu então na década de 1930 um projeto educacional que pretendia estabelecer o ensino do canto nas escolas. O objetivo era pois, despertar o gosto pela música, o civismo e a cidadania. Na criação do curso do Canto Orfeônico Villa Lobos utilizava frequentemente um vocabulário oriundo de outras áreas do conhecimento. Os cursos oferecidos tinham também como incumbência a preparação do aluno na prática de uma pronúncia legível e perfeita do texto a cantar. A melodia seria com perfeita afinação e no ajuste de cada palavra com o ritmo da música. Ele organizou adicionalmente vários concertos nos arredores de São Paulo; enfim compôs músicas educativas e patrióticas. Afinal em 1932 ele se tornou diretor da Superintendência de Educação Musical e Artística (SEMA). Compôs, dessa forma, Solfejos e Canto Orfeônico contendo músicas patrióticas para escolas e eventos civis.

VILLA LOBOS EM PARIS

Heitor Villa-Lobos fez duas visitas importantes a Paris. A primeira ocorreu em 1923 e a segunda em 1927. Inicialmente, em 1923, Villa-Lobos chegou a Paris em um momento em que a cidade estava fervilhando de arte e cultura. Ele se imergiu na vida artística da cidade, como resultado, absorveu influências que iriam enriquecer e transformar profundamente sua música. Na segunda vez, sua carreira como compositor já estava bem estabelecida e ele passou grande parte do tempo realizando concertos e apresentando sua obra ao público. Consequentemente, essas visitas a Paris tiveram um impacto profundo na sua obra. Ele assimilou dessa forma as tendências modernas na música e na arte, e manteve suas raízes brasileiras, criando um estilo musical distintamente pessoal e único. Para concluir, essas estadias foram fundamentais para seu desenvolvimento como compositor, enriquecendo sua música com novas influências e ajudando a consolidar seu lugar no cenário internacional da música clássica.

ÚLTIMOS ANOS E PARTIDA

Heitor Villa-Lobos faleceu no Rio de Janeiro, infelizmente vítima de um câncer, em 17/11/1959. Seu nome está inscrito no Livro de Aço dos heróis nacionais e depositado no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves. O editorial do The New York Times lhe dedicou uma página no dia seguinte a sua morte. Seu busto está  em monumentos, teatros e museus do Brasil e as medalhas com sua foto são distribuídas a grandes personagens da vida musical brasileira. Como ele nasceu no dia 05/03/1887, celebra-se então o Dia Nacional da Música Clássica na data do seu nascimento 05 de março.

Disse Villa Lobos

Considero minha obra como cartas que escrevi à posteridade sem esperar resposta

Bachiana Brasileira n.2 – O Trenzinho Caipira – Orquestra Sinfônica Brasileira

FONTE:

Não percam nossa próxima postagem Alberto Nepomuceno!

6 thoughts on “VILLA LOBOS: BRASILIDADE EM ACORDES

  1. Num momento como q.estamos.vivendo essa correria e os compromissos, parar e ouvir Villa Lobos e muito agradavel para nosso ser.obrigado Nilce pela oportunidade

    1. João Henrique meu querido
      Ouvir Villa Lobos e reconhecer nele a brasilidade que ele imprimiu nas suas músicas. Ele visitou os recantos distantes do nosso país e lá colheu músicas do nosso foclore, músicas populares cantadas pelo nosso povo simples e com essas informações transformou-as em momentos inesquecíveis de música erudita. Isto não tem preço. Amo as músicas dele.
      Abraços!
      Nilce

  2. Eu aprendi a gostar de Viila-Lobos quando passei a ter aulas com o pianista Homero de Magalhães, amigo e venerador do Maestro e compositor.

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